Pesquisa

As obras da última fase da artista plástica brasileira Lygia Clark (1920 – 1988), em especial “A Estruturação do Self” (1976), investigam e questionam a apreensão do mundo através da sensação, ativando a potencialidade de camadas mais sensíveis do corpo.  A pesquisa desse projeto propõe uma criação de movimentos de forma mais orgânica e particular, a partir de práticas com os objetos relacionais e de estudos sobre essa última e mais ousada fase do conjunto de obras de Lygia Clark. Tendo isso como referência sensorial, a pesquisa corporal de Imanências – contraste de uma realidade externa, prioriza um campo de forças (sensações, sentir, por dentro, por fora) e não de formas, propondo o redesenho dos nossos contornos e imagens corporais.

Os objetos relacionais – objetos que compunham seu trabalho “A Estruturação do Self” – podem ser confeccionados por qualquer pessoa, pois eles só ganham sentido na relação com o corpo do outro. Cada aplicação de objeto é uma investigação para quem está “executando” a ação e para quem está “recebendo”, no sentido que os dois podem trabalhar sua alteridade, seus contrastes, seus “outros”. Passei a me perguntar nesse processo: que tamanho tem meu contorno? Que corpo ele tem? Qual formas ele toma? O que tem dentro desse contorno? O que eu encontro no meu mergulho? Quais são as coisas da minha origem? Onde está a realidade do meu trabalho? Que trânsito é esse que acontece dentro/fora.

Contudo, durante a vivências com os objetos relacionais,  podemos escolher qual objeto será colocado de cada vez, onde ele será colocado, por que, como, o desenho do caminho e com qual intensidade aplicar. O contato desses objetos com o corpo pode transformar os contornos, alterar a sensação da própria imagem e “sensibilizar a realidade” . A criação artística pode acontecer a partir dessa experiência e é possível dançar através da descoberta de novos contornos e imagens corporais.

A linguagem do vídeo, compondo com o corpo, que tem como referência a performance Vídeocriaturas de Otávio Donasci, possibilita materializar as descobertas dos novos contornos e imagens encontrados, na intuição de ampliar essa percepção através da produção dos vídeos.

A criação coreográfica está sendo orientada na preparação corporal e nos laboratórios de criação, pela bailarina, quiropraxista e coreógrafa Marinês Calori. A preparação corporal é totalmente focada em um trabalho de consciência e reestruturação corporal, fundamentados na técnica do bailarino e coreógrafo brasileiro Klauss Vianna, integrada a conhecimentos de quiropraxia.

Uma resposta a Pesquisa

  1. Jubs

    Agora mais de perto…… Eba!!!

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